segunda-feira, 30 de junho de 2014

Aloysio Nunes é escolhido como vice de Aécio Neves com apoio de FH e Serra

O Globo

O senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) foi oficializado nesta segunda-feira como candidato à vice-presidente de Aécio Neves, que disputará a Presidência da República. Aécio se reuniu na manhã de hoje com a Executiva Nacional do partido para convalidar as chapas estaduais e fechou o nome do vice. O candidato Aécio Neves disse que a escolha de Aloysio foi "politicamente acertada".
- Hoje tenho a alegria enorme de anunciar o senador Aloysio como meu companheiro de chapa. É uma homenagem à coerência, algo que está em falta na política - disse Aécio ao anunciar a escolha do vice. - Aloysio é um homem honrado, competente e que honra a política brasileira - disse Aécio
Aloysio, em seguida, disse que continua bastante emocionado por esse momento da sua vida política. Ele brincou que tentara ser mais zen, que gostaria de assumir o espírito de Dalai Lama, mas que não consegue.
Aécio disse que o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso sempre considerou Aloysio a melhor escolha. O tucano disse que o ex-senador José Serra também comemorou e acrescentou que ele terá papel importante na campanha. Aécio fechou o nome de Aloysio ontem, às 22h, e recebeu telefonema de Serra às 6h30 de hoje. - Serra hoje é talvez dos interlocutores mais próximos que tenho. Acordei hoje com telefonema dele para me parabenizar pela escolha. Dentro de casa mesmo, poderemos ter posições divergentes sobre esse ou aquele assunto, Mas não se pode tirar de Serra que ele tem nome e espírito público. Ele terá um papel muito importante, o PSDB está mais unido do que nunca - disse Aécio.
Ele disse que não encontraria melhor vice na chapa em outros partidos:
- Teria que andar muito pelo Brasil, mais do que tenho andado, mas não escolheria melhor vice.
Para compensar o Nordeste, que poderia disputar a vice presidência representado no Tasso Jereissati (CE), o PSDB vai colocar como coordenador-geral da campanha o presidente do DEM, senador José Agripino Maia (RN). Com essa escolha, o PSDB também reserva lugar especial ao partido na aliança. Aécio disse que conversou sobre isso hoje pela manhã com o representante do DEM.
- Somos um só grupo político a partir de agora. O senador Aloysio soma, e muito, nessa caminhada, mas, sobretudo, pelo homem honrado que é - disse Aécio.
Em seguida, Aloysio disse que será um "militante político".
- Serei um vice muito dedicado, muito leal, muito correto. Orgulhoso por ter alguém do porte, da envergadura, do carisma como Aécio Neves na nossa liderança. Serei um militante político - disse Aloysio.
CHAPA PURO SANGUE REFORÇA SP
Os dirigentes tucanos minimizam o fato de o PSDB ter optado por uma chapa pura e ressaltam a necessidade de reforçar o maior colégio eleitoral tucano no país, São Paulo.
- Não creio que a questão seja geográfica. A construção de uma chapa deve levar em conta conceitos e imagem. Temos experiencia de vice de outras regiões como do Nordeste que não produziram votos. O reforço tem de ser onde tem mais potencial de votos. A escolha não está equivocada – disse o senado Álvaro Dias (PSDB-PR).
O líder do PSDB na Câmara, Antonio Imbassahy, disse que o critério não é de território, mas sim de importância de colégio eleitoral e São Paulo atende a esse quesito.
- O Aloysio conhece bem a estrutura paulista e as pessoas nesse que é o colégio eleitoral mais importante do país. Ele traz para o Aécio um reforço grande – disse. - (a chapa Aécio e Nunes) Encerra essa história de que há um conflito Minas São Paulo, mas esse conflito nunca existiu.
PARA ANALISTA, ESCOLHA TRAZ VOTOS DE SP PARA O MINEIRO AÉCIO
O cientista político do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Iesp/Uerj) Felipe Borba avalia que Nunes aparece como forma de “compensar” os paulistas pela mudança de eixo do partido.
— Ele poderia atrair para o mineiro Aécio o voto de São Paulo, o maior colégio eleitoral do país. E sua escolha também seria importante porque, desde 1989, o candidato tucano à presidência é paulista. Desta vez não será, e Nunes poderia equilibrar isso — pondera Borba.


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Da Papuda Waldemar comando o PR, como Marcola e Lula comandam suas facções

Lauro Jardim - Radar - VejaInstruções da Papuda

Não perdeu o prestígio no partiido
Não perdeu o prestígio no partiido
Valdemar Costa Netto agora poderá sair da Papuda para trabalhar. Beleza. De qualquer maneira, a cadeia nunca foi impedimento para continuar fazendo política. De lá, continuava comandando o PR. Assim como Marcola continua dando as cartas no PCC de dentro de um presídio de segurança máxima.

Por unidade, PSDB confirma Aloysio Nunes como vice de Aécio


Serrista, senador foi um dos primeiros aliados do ex-governador de São Paulo a apoiar o nome de Aécio para a Presidência da República

Gabriel Castro e Laryssa Borges, Veja
Aécio e Aloysio Nunes durante evento que oficializou o nome do senador paulista na chapa que concorre ao Planalto
Aécio e Aloysio Nunes durante evento que oficializou o nome do senador paulista na chapa que concorre ao Planalto(Orlando Brito)
O PSDB confirmou nesta segunda-feira o nome do senador Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP) como vice na chapa de Aécio Neves na corrida pelo Palácio do Planalto. A decisão foi comunicada pelo próprio candidato tucano à Presidência, após uma reunião da cúpula do PSDB, em Brasília: "Não é apenas um homem para ser vice-presidente da República, é um homem que, em qualquer eventualidade, está preparado para assumir a Presidência do Brasil", afirmou o senador mineiro sobre o companheiro de chapa. O prazo para a escolha se encerrava nesta segunda-feira. A reunião também confirmou a aliança dos tucanos com outros sete partidos: DEM, PTB, SD, PTC, PTN, PMN e PTdoB.
Serrista, Aloysio tem 69 anos e foi um dos primeiros aliados do ex-governador de São Paulo a apoiar o nome de Aécio para a Presidência da República. A escolha de seu nome como vice é interpretada como uma tentativa de consolidar a união do PSDB e, segundo interlocutores, atende à ala paulista do partido, que pressionava por uma chapa “puro sangue”. "É uma homenagem à coerência, matéria-prima essencial à vida pública e que, lamentavelmente, está em falta no Brasil A trajetória exemplar de Aloysio durante toda a sua vida, sempre na defesa da democracia, da liberdade, da ética na vida pública faz com que, a partir de agora, nossa caminhada se fortaleça enormemente," afirmou Aécio Neves.
Ex-secretário da Casa Civil de São Paulo, o senador tem ainda boa interlocução com prefeitos do interior do Estado. A escolha de Aloysio é também uma tentativa de Aécio se firmar na região Sudeste. A última pesquisa Ibope aponta vantagem confortável para Dilma em São Paulo, maior colégio eleitoral do país. Aloysio Nunes Ferreira foi eleito senador em 2010 com mais de 11 milhões de votos - e é esse capital político que a campanha de Aécio pretende utilizar nas eleições de outubro. Naquele ano, Orestes Quércia (PMDB) era o candidato mais forte da coligação tucana, mas se afastou para tratamento médico e pediu votos para Aloysio, que subiu nas pesquisas e acabou se elegendo em primeiro lugar.
Apesar de a lista de potenciais vices do tucano já ter incluído opções como a ex-ministra do Supremo Tribunal Federal Ellen Gracie, a deputada Mara Gabrilli e o próprio José Serra, nos últimos meses as negociações tinham se resumido a dois nomes: o de Aloysio e o do ex-governador do Ceará Tasso Jereissati. Com o rearranjo político, Tasso foi confirmado como candidato ao Senado pelo Ceará, em composição com o peemedebista Eunício Oliveira. O senador José Agripino Maia (RN), presidente do DEM, será o coordenador-geral da campanha. Ele também chegou a ser cotado como um possível vice de Aécio, mas concordou com a indicação de Aloysio. 
O senador tucano foi filiado ao PMDB e se elegeu duas vezes deputado estadual e outras duas deputado federal pela sigla. Em 1999, já no PSDB, conquistou por outros dois mandatos assento na Câmara em Brasília. Ele foi vice-governador de São Paulo, ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência da República e ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso e chefe da Casa Civil na gestão de José Serra.
Temperamento - O vice de Aécio se disse "emocionado" com a escolha e afirmou que não mudou de lado desde os 18 anos de idade, quando ingressou na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco. "Basicamente as minhas convicções são as mesmas em torno da democracia, liberdade, pluralismo e a luta peal igualdade", disse o senador.
Aloysio também teve de responder sobre seu comportamento pouco tolerante a provocações. No atual mandato, ele já perdeu a paciência com militantes ambientalistas ("Vocês nunca viram uma galinha na vida, seus m...!", disse, em uma comissão do Senado) e proferiu xingamentos quando interpelado por um agitador petista. "Infelizmente, ainda não há transplante de alma. Se tivesse eu transplantava a alma do Dalai Lama na minha", brincou. 



Apenas 22% dos jovens mais pobres completaram o ensino médio aos 19 anos


Por Priscilla Borges - Ig

Etapa final da educação básica deveria ser concluída aos 17 anos; entre mais ricos, índice de conclusão sobe para 84,1%. Para especialista, escola precisa se reinventar para atrair jovem

Amana Salles/Fotoarena
Para especialistas, ensino médio com o currículo atual é inútil para a maioria dos estudantes
Permanecer na escola, quando se é pobre, é um grande desafio. Dados compilados a partir da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) mostram que, aos 19 anos de idade, jovens que já deveriam estar na universidade ainda estão longe de concluir a educação básica. Especialmente os mais pobres. Apenas 22,4% deles concluem o ensino médio nessa idade.
Entre o quinto (20%) mais rico da população, a realidade é bastante diferente, apesar de ainda não ser a ideal: 84,1% dos jovens de 19 anos já concluíram o ensino médio. O ideal é os alunos terminassem a educação básica com 17 anos. As desigualdades são ainda maiores quando a comparação é feita entre as regiões brasileiras.
Na região Norte, o percentual de concluintes do ensino médio com 19 anos assusta: é de apenas 14,3% entre os mais pobres e de 67,9% entre os mais ricos. A região Sudeste possui os números mais altos de conclusão entre os grupos – que são distantes entre si também: 87,2% dos jovens de 19 anos mais ricos terminaram a etapa, contra 34,2% dos mais pobres.
“Ao analisar o direito à educação, é preciso avaliar qualidade e equidade, sobretudo num país com a diversidade e as assimetrias sociais do Brasil”, ressalta Carlos Eduardo Moreno Sampaio, mestre em estatística e diretor de Estatísticas Educacionais do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), em artigo publicado no livro O Enfrentamento da Exclusão Escolar, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Guilherme Lara Campos/Fotoarena
Matrículas no ensino noturno, que poderiam ajudar jovens trabalhadores, caem ano a ano
O texto ressalta que entre 60% e 80% das crianças e dos adolescentes de 4 a 17 anos que não frequentam a escola são de famílias pertencentes aos dois primeiros quintis de renda familiar per capita: os 40% mais pobres. “Quanto menor a renda, maior a chance de uma criança nessa faixa etária não frequentar a escola”, diz.
Moreno acredita que programas sociais, como o Bolsa Família, e de ampliação da permanência na escola, como Mais Educação, têm contribuído para melhorar o cenário. “A escola tem papel central na superação desses desafios”, define. Ele reconhece que, mesmo entre a população de maior renda, a taxa de sucesso na progressão escolar não é adequada. “A chance de um jovem de 19 anos da região Sul ter o ensino médio concluído é pouco maior que 53%, número muito abaixo do ideal”, comenta.
Permanência e aprendizagem
Para especialistas, os dados mostram que, para além de colocar as crianças na escola, as redes precisam mantê-las na dentro, aprendendo na idade correta, para que a exclusão escolar não seja tão comum entre os jovens. De acordo com a Pnad 2012, havia 887.382 jovens de 17 anos que não frequentavam a escola, mais 495.660 de 16 anos e 271.162 de 15 anos.
Na opinião de Moreno, os dados mostram um problema “estrutural” da educação brasileira: “a baixa produtividade dos sistemas em produzir concluintes na idade própria”. Aos 6 anos, a frequência escolar das crianças é de 95,8%. Mas só 76% das crianças de 12 anos concluíram o ensino fundamental e, aos 16 anos, apenas 65,5% terminaram essa etapa (o que deveria ter ocorrido aos 14) e, aos 19 anos, menos da metade (49,7%) concluiu o ensino médio.
Júlia Ribeiro, oficial do programa de Educação do Unicef, ressalta que é importante ampliar o enfrentamento da exclusão escolar. “As áreas de educação precisam estar articuladas à saúde e à assistência social, por exemplo, para enfrentar o problema”, afirma. Para ela, o maior desafio é a escola “dialogar com esse adolescente para que ele permaneça na escola”.
A secretária municipal de Educação de Saloá (PE), Josevalda Cavalcante de Albuquerque, também defende um “ensino com significado para os jovens do ensino médio”. Ela critica a falta de prática no apoio aos professores que lidam com essa faixa etária. “Existem muitas formações, mas não para eles. O apoio fica no discurso”, diz.
Atendimento noturno
As matrículas no ensino regular noturno – que poderiam auxiliar os jovens trabalhadores, por exemplo – vêm caindo nos últimos cinco anos. Por um lado, os especialistas dizem que esse é um bom sinal, já que não é desejável manter adolescentes estudando no período da noite. Por outro, eles reconhecem que o atendimento em horário alternativo ainda é necessário.
Entre 2008 e 2013, o número de matrículas no ensino médio noturno caiu 25%. De 3.181.151 alunos em 2008, passou para 2.394.488 em 2013. “O desejo é acabar com o ensino noturno. Os bons resultados do ensino regular refletem no noturno. O que precisamos é trabalhar para que a educação no Brasil seja integral”, comenta Eduardo Dechamps, secretário de Educação de Santa Catarina.
“Quem dera que a gente não precisasse do ensino noturno, mas ele ainda é a porta de entrada ou o retorno das pessoas que não tiveram oportunidade no tempo ideal. Acho que a queda das matrículas do ensino regular à noite tem mais a ver com a Educação de Jovens e Adultos”, comenta Cleuza Repulho, presidente da União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime).
A Educação de Jovens e Adultos, o antigo supletivo, tem sido alvo de estudantes cada vez mais jovens. Mas não tem conseguido atrair todos que precisaria. Tanto no turno diurno quanto noturno, as matrículas caíram nos últimos anos. Entre 2008 e 2013, a modalidade perdeu mais de 1,1 milhão de matrículas. Só à noite, a queda foi de 22%.
“É preciso repensar o EJA em muitos municípios. Em outros lugares, pode ser que as matrículas estejam caindo porque a taxa de analfabetismo e a defasagem idade-série vêm diminuindo. É desejável que, ao longo do tempo, essas matrículas diminuam, mas é preciso analisar caso a caso. Os gestores precisam fazer busca ativa para resolver isso”, diz.

Venda de TVs para a Copa foi menor do que o esperado


MÁRCIA DE CHIARA - O ESTADO DE S. PAULO

Descasamento entre produção e vendas explica guerra de preços que ocorre hoje no varejo para queimar estoques

A indústria superestimou a produção de televisores para a Copa do Mundo. O varejo reforçou os estoques e o consumidor está comprando uma TV nova, porém num ritmo inferior ao avanço da produção. Esse descompasso explica a guerra de preços que ocorre hoje no varejo e a corrida das grandes redes de lojas para se livrar dos estoques antes do fim da Copa.

Entre janeiro e abril, foram produzidos 5,6 milhões de televisores de LED na Zona Franca de Manaus, apontam dados da Superintendência da Zona Franca de Manaus. Essa quantidade de TVs é 65,1% maior em relação ao fabricado no mesmo período do ano passado.
De acordo a própria indústria, as vendas para o consumidor aumentaram entre 30% e 40% nos últimos meses na comparação anual. Isso significa que existe uma sobra de produto no varejo. Prova disso é que os fabricantes anteciparam as férias coletivas de dezembro para a primeira quinzena de junho e encerraram o expediente de produção de TVs para a Copa.
“Não vamos comprar TVs nos próximos 30 dias”, diz um executivo de uma grande rede de varejo que prefere não ser identificado. Ele afirma que as suas metas de vendas estão sendo cumpridas. Mas o fato de a rede varejista não pretender voltar tão cedo às compras indica que os estoques estão altos.
“O varejo se preparou para uma venda 80% maior e o crescimento está sendo de 40%”, observa uma fonte da indústria. Apesar de as vendas serem positivas, a questão é que as margens, que são pequenas, devem ser achatadas ainda mais porque os varejistas devem cortar preços, temendo o encalhe com a proximidade do fim da Copa.
Coreanas. As duas gigantes do setor de TVs, LG e Samsung, estão satisfeitas com as vendas para o varejo. “Ampliamos em 80%”, conta o gerente sênior de TVs da Samsung para o Brasil, William Peter Lima. Ele diz que as vendas totais do varejo cresceram 40%. O bom desempenho alcançado até agora fez com que a subsidiária brasileira da companhia ultrapassasse a China e conquistasse a segunda posição em vendas na corporação, atrás apenas dos Estados Unidos. De toda forma, Lima já espera uma ressaca em julho e agosto nas vendas da indústria para o comércio depois da Copa. Com isso, ele acredita que o segundo semestre será equivalente ao de 2013 ou até menor.
“Não existe descasamento entre produção e vendas de TVs”, afirma o gerente-geral de TVs da LG, Rogério Molina. De janeiro a maio, a empresa ampliou as vendas em 60% na comparação anual. Enquanto isso, as vendas totais no varejo cresceram cerca de 30%. Segundo Molina, por enquanto, as vendas estão dentro do previsto. Ele pondera, no entanto, que não sabe o que pode acontecer no segundo semestre, considerando que há uma eleição.

Economia entra em julho com pé no freio. É muito grave a crise de Dilma


MÁRCIA DE CHIARA - O ESTADO DE S. PAULO

Após paradeira por causa da Copa, indústria e comércio iniciam segundo semestre com estoques altos e antecipação de liquidações

 

O segundo semestre começa com o freio de mão puxado para a indústria e o comércio. Após a paradeira provocada pela Copa e que afetou a atividade em junho, o cenário é pouco animador para julho e agosto. As encomendas do comércio para a indústria de eletrônicos e eletrodomésticos da Zona Franca de Manaus estão devagar e atreladas à expectativa dos varejistas de desovar estoque, especialmente de TVs, antes do fim da Copa.
No setor de vestuário, a situação é inusitada: as lojas começaram a liquidação de inverno praticamente com a abertura da estação, em 21 de junho. “Tínhamos uma previsão que não era boa, mas este mês foi muito ruim”, afirma o presidente da Associação de Lojistas de Shoppings (Alshop), Nabil Sahyoun.
O início de um segundo semestre em desaceleração para o comércio está estampado nas projeções de vendas para julho do Instituto para o Desenvolvimento do Varejo (IDV). Segundo projeções feitas por 56 grandes redes varejistas, o faturamento deve crescer 1% em relação a julho de 2013, descontada a inflação, depois de ter avançado 5,4% em maio e 3,9% em junho em comparação aos mesmos meses do ano passado.
De acordo com o Índice de Antecedente de Vendas (IAV), apurado pelo IDV, julho deve ter as menores taxas de crescimento de vendas para todos os segmentos pesquisados. A expectativa é que o faturamento real com bens não duráveis, que são alimentos e produtos de higiene e limpeza, caia 0,2% este ano ante julho de 2013, e no caso dos bens duráveis, que abrange eletroeletrônicos e móveis, é esperado um acréscimo de apenas 0,5% na comparação anual.
As projeções indicam que o melhor desempenho em julho é esperado para o segmento de bens semiduráveis, que envolve artigos de vestuário, com crescimento de 4,7%. Mesmo assim, essa variação é praticamente a metade da esperada para maio e junho, de 10,1% e 9,3%.
“Essas projeções são uma profecia autorrealizável”, afirma o vice-presidente do IDV, Fernando de Castro. Ele explica que as grandes varejistas consultadas para elaborar o índice, que juntas representam 28% do varejo nacional, fazem suas encomendas às indústrias levando em conta essa projeção de vendas.
O descompasso entre os estoques no comércio e as vendas e um estudo da Confederação Nacional do Comércio (CNC) feito com base nos últimos dados do IBGE explicam a cautela nas projeções dos comerciantes e De janeiro a abril, as vendas do comércio varejista restrito, que não inclui veículos, cresceram 5% ante 2013, enquanto os estoques aumentaram 5,2%.
Segundo Fabio Bentes, economista da CNC, os estoques estão pesando mais no varejo no segmento de vestuário e de móveis e eletrodomésticos. Entre janeiro e abril, as vendas de itens de vestuário caíram 1,2% e os estoques aumentaram 0,4% em relação a igual período de 2013. Nos móveis e eletrodomésticos, os estoques cresceram 9,6% no período e as vendas avançaram 4,4%.
Tudo indica que esse quadro de desajuste entre estoque e venda piorou nos últimos meses. “As vendas no varejo saíram fora dos trilhos entre abril e junho”, afirma um executivo do varejo que prefere o anonimato. Os comerciantes já esperavam algum enfraquecimento nos negócios, mas o fraco desempenho do período extrapolou as expectativas, diz ele.
Férias. O varejo esperava que as vendas de refrigeradores, lavadoras, fogões e móveis ficassem estáveis entre abril e junho ante igual período de 2013. O que se viu foi queda entre 20% e 30%. Nos itens de informática, as vendas caíram 10%. No de eletroportáteis, houve alta de cerca de 2%, ante expectativa de 10%.
O resultado da frustração de vendas no varejo recai sobre a indústria no período seguinte, com encomendas menores. “Junho não aconteceu para as indústrias da Zona Franca de Manaus”, afirma o presidente do Centro das Indústrias do Estado do Amazonas (CIEAM), Wilson Périco, fazendo referência aos pedidos para o segundo semestre. Boa parte das 192 indústrias dos setores de eletroeletrônicos, componentes, relógios e duas rodas de Manaus antecipou as férias coletivas de dezembro para junho.

Dilma perde terreno no Rio, capital nacional da traição

Daniel Haidar  - Veja


PMDB constrói pontes para manter-se no poder independentemente do resultado das urnas. Fragmentação nos Estados cria cenário pouco favorável para a reeleição da presidente


Em Brasília, Dilma Rousseff aguarda a chegada do presidente angolano, José Eduardo dos Santos, no Palácio do Planalto
Fragmentação nos Estados cria cenário pouco favorável para a reeleição da presidente (Ueslei Marcelino/Reuters)
Os movimentos dos partidos políticos ao longo das últimas duas semanas fazem do Rio de Janeiro o Estado mais surpreendente – e confuso – do cenário pré-eleitoral. Ninguém ousa, no momento, arriscar palpite preciso sobre o futuro das urnas fluminenses, mas há consenso sobre alguns aspectos que dizem respeito ao papel do Estado na eleição presidencial. Por subestimar a força do PMDB, a presidente Dilma Rousseff perdeu exclusividade no palanque do governador Luiz Fernando Pezão; e, certamente por enxergar que a reeleição é incerta e a corrida será muito mais disputada que a de 2010, os peemedebistas têm, desde já, estruturadas suas pontes para estar no poder em 2015, seja quem for o vencedor da disputa nacional.
No momento, tão importante quanto entender o comportamento das alianças e dos palanques – Pezão, por exemplo, terá de conjugar momentos com Dilma, Aécio Neves (PSDB) e o Pastor Everaldo (PSC) – é identificar o que motiva as coligações, e esses interesses estão, desde muito antes das convenções partidárias, às claras sobre a mesa.
Para fortalecer palanques regionais de Dilma depois do barulhento divórcio com o PMDB no Rio, a direção nacional do PT precisou impor arranjos favoráveis a candidaturas a governador do PMDB no Pará, na Amazônia, em Rondônia e na Paraíba.  Assim, não só o candidato petista a governador no Rio, Lindbergh Farias (PT), vai fazer com que partido de Dilma favoreça o palanque do adversário pessebista Eduardo Campos. De última hora, com a desistência de José Sarney (PMDB) de concorrer à reeleição, os petistas entraram na coligação para reeleição de Camilo Capiberibe (PSB), com Dora Nascimento (PT) ao Senado.

Os petistas foram traídos pelo PMDB em pelo menos oito estados, sem contar o Rio – onde a traição começou com um movimento do PT. Peemedebistas devem estar em coligações com candidaturas tucanas de governadores ou senadores no Acre, na Bahia e no Ceará. Também dividirão palanque com PSB em Pernambuco e no Rio Grande do Sul. PSB e PSDB estão ainda em alianças majoritárias com o PMDB em Roraima, no Piauí e no Rio Grande do Norte, onde o presidente da Câmara dos Deputados, Henrique Alves (PMDB), concorre a governador contra o atual vice-governador Robinson Faria (PSD). Faria possui apoio do PT no estado e a vaga para o Senado da coligação ficou com a deputada federal Fátima Bezerra (PT).
Professor da USP e pesquisador do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap), Fernando Limongi destaca que o cálculo de Dilma considerava, em 2014, repetir a polarização nacional de duas forças, como em 2010. A entrada em cena da candidatura de Eduardo Campos (PSB), a fragmentação da base aliada com a criação de novos partidos (PSD, Solidariedade, Pros, PPL e PEN) e as traições nos Estados, em especial o Rio, embaralharam a situação da presidente.
“Em 2010, era fundamental para o PT ter uma disputa bipartidária, porque Dilma era desconhecida. Os petistas tentaram manter essa estratégia para a disputa de 2014, mas a bateria perdeu ritmo com a criação de novos partidos ao mesmo tempo em que Eduardo Campos se movimentou para retirar o PSB da base do governo. E a rebelião do PMDB no Rio de Janeiro virou um complicador extra, porque a presidente ainda precisa mais de palanque estadual do que o candidato a governador necessita de um palanque nacional na campanha”, afirma Limongi.
Dilma e o PT pensavam conhecer a fundo o PMDB. Foram surpreendidos, no entanto, com a força do partido em algumas regiões. No Rio, a derrocada da popularidade de Sérgio Cabral, alvo das manifestações de 2013, levou os petistas a crer que seria simples fazer com que o partido cedesse a cabeça de chapa – e isso encorajou Lindbergh Farias a bancar sua candidatura, com apoio do ex-presidente Lula. Era esperado que, com Cabral enfraquecido, o PMDB concordasse em inverter a dobradinha, lembra a professora Marly da Silva Motta, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), especialista em história política do Rio.
“No PMDB, não dá para entrar pato novo. É o que o partido está dizendo no momento ao Eduardo Paes, que tenta dar ordem unida ao grupo. Não há chance de isso acontecer”, compara Marly.

Para (tentar) entender a eleição no Rio

1 de 6

Luiz Fernando Pezão (PMDB)

O governador do Rio, cria de Sérgio Cabral, de quem foi vice, é aliado de primeira hora da presidente Dilma, como foi de Lula. Publicamente, jura fidelidade à presidente e diz trabalhar pela reeleição. Mas fez movimentos que favoreceram claramente o Aezão, que põe em seu palanque o candidato tucano à Presidência, Aécio Neves. Pezão e o PMDB afirmam, publicamente, que o Aezão é uma resposta à postura do PT de manter a candidatura de Lindbergh Farias ao governo – que que quebrou o acordo vigente entre peemedebistas e petistas.
O movimento Aezão, de buscar votos para a campanha do presidenciável tucano Aécio Neves e do candidato ao Palácio Guanabara Luiz Fernando Pezão é, ao mesmo tempo, uma vingança de peemedebistas indignados com a insistência na candidatura de Linbergh e uma forma segura de o PMDB garantir que estará em posição confortável após as eleições. Quem vencer em Brasília precisará do PMDB para governar; e quem vencer no Rio terá, necessariamente, que conversar com Jorge Picciani, o presidente regional do partido, articulador assumido do Aezão.
É certo, até o momento, que o redesenho das alianças favorece Aécio e Eduardo Campos e enfraquece Dilma no Rio. O Aezão aglutinou a base do PMDB fluminense ao PSDB, que não tinha, no Estado, força ou estrutura para oferecer um palanque ao tucano. Para tanto, Sérgio Cabral cedeu a vaga na candidatura ao Senado a Cesar Maia, do DEM – um crítico ferrenho do PMDB de Cabral e Pezão. Do outro lado, na trincheira petista, Lindbergh Farias atraiu o PDB, prometendo apoio à candidatura do deputado federal Romário ao Senado – e o ex-jogador já afirmou que só fará campanha para Campos.
Dilma perde nas alianças, mas é cedo para afirmar que o desenho atual representa uma derrota significativa. O que interessa à presidente e ao comando da campanha nacional é o tempo de TV, e a configuração das alianças mantém a candidata à reeleição em vantagem. Os palanques “duplos” ou “triplos” também tendem a se realinhar dependendo do resultado do primeiro turno, como acredita Christopher Garman, diretor da consultoria americana Eurasia, especializada em risco político.  “A composição dos palanques estaduais se mostra muito mais distribuída este ano, o que é ruim para Dilma. A despeito de o PT ter costurado uma base nacional, a capacidade de articulação nos Estados caiu muito. Tudo se realinhará, no entanto, de acordo com a aproximação da eleição e, principalmente, com o resultado do primeiro turno. Se Dilma for bem, a rebelião dos aliados nos Estados diminui”, prevê.


O futuro do PMDB – Apesar dos movimentos surpreendentes das convenções estaduais, não se pode dizer, no entanto, que os peemedebistas, fiéis da balança da governabilidade, tenham feito movimentos completamente inesperados. O partido conhece a tradição do eleitor brasileiro, que não cobra nem pune candidatos por incoerência ideológica. Diretor da consultoria Arko Advice, o cientista político Murillo de Aragão lembra que, em geral, eleitores cobram resultados e expectativas. “Se o desempenho do governante induzir à mudança, o eleitor aceita mudar, independentemente da coligação que se forma”, afirma.
Dado esse comportamento, e a manutenção da tendência, as traições de agora terão pouco peso no futuro político dos governantes. “Amanhã, se Dilma ganhar, vai haver uma operação resgate de quem esteve por fora, quem trabalhou para outros candidatos. Michel Temer vai ser o primeiro a trazer o PMDB do Rio para perto do governo. Políticos são hábeis para ‘lamber feridas. Mas vai depender também do dano causado pela traição. Se ficar evidente que Pezão foi um estorvo para Dilma na campanha, vai custar mais caro essa recomposição”, lembra.
Aragão ressalva, no entanto, que mesmo adversários ferrenhos podem esquecer desavenças e se alinhar por projetos de comum interesse, como a recente união de PMDB e DEM no Rio para atingir a campanha de Dilma. “No Brasil, não existe inimigo eterno nem amizade assegurada. Há dois anos, estavam juntos Cesar e Anthony Garotinho. Agora, o governador Pezão e o ex-prefeito aparecem juntos na foto”, alerta o diretor da Arko Advice.

domingo, 29 de junho de 2014

Graças Foster foi informada sobre propinoduto na Petrobras um ano antes de anunciar uma auditoria. Conivência com a roubalheira

O Estado de São Paulo
A presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, foi informada de investigação que trata de suspeitas de pagamento de propina a funcionários da estatal e de companhias em outros países cerca de um ano antes de anunciar uma auditoria sobre o caso. A declaração foi feita pelo chefe de Governança e Conformidade da SBM Offshore, Sietze Hepkema, à comissão destacada pela petrolífera brasileira para apurar as denúncias de que um representante da empresa pagava suborno em troca de contratos de locação de plataformas.
Em 21 de fevereiro deste ano, a equipe da Petrobrás entrevistou Hepkema no Rio de Janeiro, como parte dos trabalhos de investigação interna. Na ocasião, ele foi questionado sobre o porquê de a SBM nunca ter avisado a estatal sobre as investigações que abrira para apurar as denúncias de irregularidade, embora isso seja uma determinação de contratos da empresa com a estatal.
"Nós o fizemos em várias ocasiões, geralmente com o senhor Formigli. Discutido com a senhora Foster cerca de um ano atrás", respondeu o executivo, conforme transcrição da conversa, em inglês, feita pela Petrobrás e obtida pelo jornal O Estado de S.Paulo. Formigli é o diretor de Exploração e Produção da estatal, José Miranda Formigli.
A Petrobrás determinou investigação sobre o caso em 13 de fevereiro deste ano, dia em que o caso foi divulgado na imprensa brasileira, bem depois do suposto alerta. O anúncio de que as apurações estavam em curso foi feito por Graça Foster cinco dias depois disso.
No relatório final das investigações, a comissão afirma que Hepkema "declarou haver comentado sobre as denúncias com o diretor Formigli e a presidente Graça". Porém, na viagem feita pela equipe à Holanda, sede da SBM, entre 25 e 28 de fevereiro, não mais fez referência ao nome da presidente, somente mencionando ter falado sobre o tema com o diretor.
Sem registro
A comissão diz ter perguntado a Formigli sobre o assunto, mas não registra qualquer questionamento a Graça Foster. "A respeito, o diretor lembra-se sobre um comentário genérico sobre corrupção na África e que nada incluiria o Brasil, e que este assunto, realmente, não foi tratado com a presidente", escreveram os responsáveis pela investigação.
A SBM tomou conhecimento de operações suspeitas no Brasil em janeiro de 2012, tendo iniciado investigações sobre o caso em maio do mesmo ano, ou seja, meses antes do suposto alerta a Graça Foster. O trabalho é feito por escritórios contratados na Holanda. "Desde 2012 o diretor Formigli teria sido avisado das investigações, sem que, à época, ficasse caracterizado qualquer irregularidade envolvendo a Petrobrás", registra a comissão em seu relatório.
Como revelou o jornal O Estado de S.Paulo no mês passado, em depoimento ao Ministério Público Federal, o diretor da SBM no Brasil, Philippe Levy, disse ter tratado das suspeitas de corrupção com Formigli. Porém, Levy alega não ter falado especificamente de irregularidades na estatal ou no Brasil. Tanto a SBM quanto a Petrobrás informam não ter comprovado pagamento de propina a funcionários da companhia brasileira.
Indícios
O jornal O Estado de S.Paulo procurou a Petrobrás, mas, até o início da noite deste domingo, 29, a Petrobrás não havia se pronunciado. A SBM Offshore alegou não ter avisado a Petrobrás sobre "pagamentos indevidos especificamente à empresa brasileira". Em nota, explicou que, num encontro em 2012, o diretor Formigli foi informado de que a SBM iria lançar sua própria investigação em todo o mundo, "depois de indícios de práticas impróprias na África". "A SBM garantiu que nada havia sido encontrado (sobre o Brasil) até aquele momento", ressalta.
Na nota, a SBM não faz referência ao alerta a Graça Foster, citado no depoimento de Hepkema. "A mesma posição foi manifestada pelo presidente (da SBM) Bruno Chabas e Sietze Hepkema, na reunião de 2013 com a Petrobrás, ou seja, de que nenhuma evidência concreta de práticas impróprias havia sido encontrada no Brasil", acrescentou a empresa.

Fidel Castro e sua inacreditável ilha particular (que não é Cuba)

Blog Ricardo Setti - Veja

PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
PARAÍSO SECRETO — Localizada a 15 quilômetros do litoral sul de Cuba, Cayo Piedra é, desde a década de 60, o refúgio particular e preferido de Fidel Castro (Foto: Reprodução/VEJA)
A ILHA DO CARA
Revelado o segredo dos altos índices de desenvolvimento humano em Cuba.
Eles devem estar sendo medidos na ilha privativa de Fidel Castro, um paraíso nababesco
Reportagem de Leonardo Coutinho publicada em edição impressa de VEJA
Cultuado pelos partidos de esquerda do Brasil e da América Latina, Fidel Castro vende com facilidade a falsa imagem do revolucionário despojado, metido antes em farda de campanha e, agora, na decrepitude, em agasalhos esportivos Adidas que ganha de presente da marca alemã.
Inúmeros relatos de pessoas que privaram da intimidade de Fidel haviam arranhado a aura de asceta do ditador cubano. Sabia-se que ele manda fazer suas botas de couro, sob medida, na Itália; que tem um iate e um jato particulares; come do bom e do melhor – enfim, nada diferente da vida luxuosa levada, em despudorado contraste com a miséria do povo, por tantos ditadores de todos os matizes ideológicos no decorrer da história.
Mas, como manda o manual do esquerdismo latino-americano, que nunca conseguiu se afastar do culto ao caudilhismo populista, se a realidade sobre Fidel desmentir a lenda, que prevaleça a lenda. Assim, a farsa sobrevive. Assim, as novas gerações vão sendo ludibriadas.
Resta ver se a farsa vai resistir às revelações sobre a corte de Fidel que aparecem na autobiografia de um ex-guar­da-costas do ditador, Juan Reinaldo Sánchez. O livro, que está chegando às livrarias brasileiras no fim de junho com o título A Vida Secreta de Fidel (Editora Paralela), revela excentricidades que seriam aberrantes mesmo para um bilionário capitalista.
Algum rentista de Wall Street tem uma criação particular de golfinhos destinados unicamente a entreter os netos?
Fidel tem.
Os líderes das empresas mais valorizadas do mundo, Google e Apple, que valem centenas de bilhões de dólares, são donos de ilhas particulares secretas, vigiadas por guarnições militares e protegidas por baterias antiaéreas?
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Com um total de 1,5 quilômetro de extensão, as duas ilhotas têm uma estrutura luxuosa e recebem exclusivamente familiares e amigos íntimos do ditador (Foto: Reprodução/VEJA)
Fidel tem tudo isso em sua ilha – e não se está falando de Cuba, que, de certa forma, é também sua propriedade particular.
O que o ex-guarda-costas revela em detalhes é a existência de uma ilha ao sul de Cuba onde Fidel Castro fica boa parte do seu tempo livre desde a década de 60. Nada mais condizente com uma dinastia absolutista do que uma ilha paradisíaca de usufruto exclusivo da família real dos Castro.
Juan Reinaldo Sánchez narra a liturgia diária do séquito de provadores oficiais que experimentam cada prato de comida e cada garrafa de vinho que chegam à mesa do soberano para garantir que não estejam envenenados. “A vida inteira Fidel repetiu que não possuía nenhum patrimônio além de uma modesta cabana de pescador em algum ponto da costa”, escreve Sánchez no seu livro.
A modesta cabana de Fidel é uma imensa casa de veraneio de 300 metros quadrados plantada em Cayo Piedra, ilha situada a 15 quilômetros da Baía dos Porcos, no mar caribenho do sul de Cuba. Quando Fidel conheceu Cayo Piedra, logo depois do triunfo de sua revolução de 1959, o lugar lhe pareceu o refúgio ideal para alguém decidido a nunca mais deixar o poder.
Eram duas ilhotas desertas sobre um banco de areia com uma rica fauna marinha. Condições excelentes para a caça submarina, um dos passatempos do soberano resignatário de Cuba. Muito se especulava sobre a existência do resort de Fidel, mas sua localização só se tornou conhecida agora, depois da publicação do livro de Sánchez.» Clique para continuar lendo 

Estado dos gramados desmente totalmente o bestialógico proferido por Lula, que acha que entende de tudo

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David Villa, da seleção espanhola, durante o jogo contra a Austrália: gramado da Arena da Baixada deixa a desejar (Foto: Jeff Gross/Getty Images)
O atacante David Villa, da seleção espanhola, ao fazer seu gol de letra na partida contra a Austrália: gramado da Arena da Baixada foi um dos que deixaram a desejar (Foto: Jeff Gross/Getty Images)

Dentro de campo, esta Copa do Mundo está sendo ótima — grandes partidas, grandes surpresas, muita emoção, gols sensacionais, boa média de gols. A Copa de 2014 no Brasil deve entrar para a história como um dos melhores mundiais, entre os 20 já realizados.

Os estádios, além de em geral belos, estão muito bons, a despeito da forma como foram construídos e do enorme montante de dinheiro público neles despejado, embora a maioria dos 12 ainda necessite de retoques importantes e tenha tido problemas no funcionamento de certas áreas — como alimentação e banheiros.

Neles, os gramados são excelentes, mas nada que justifique a besteira monumental proferida por Lula a respeito, digna de ser escrita em mármore, para permanecer:

– É a primeira vez, presidenta Dilma, é a primeira vez que um time de futebol perde por excesso de qualidade do nosso estádio (sic).

Lula, falando para os convencionais do PT reunidos em Brasília no sábado, 21, queria referir-se à derrota da Inglaterra dois dias antes para o Uruguai, por 2 a 1, na Arena Corinthians, em São Paulo.
E, ao mencionar o suposto “excesso de qualidade do nosso estádio”, quis na verdade elogiar a qualidade dos gramados.

Eles estão em geral em muito boas condições, embora não sejam capazes “de matar os ingleses de inveja”, como vociferou Lula.

Assim sendo, diante do bestialógico do ex-presidento que, como se sabe, não hesita em dar palpite sobre literalmente assunto algum, qual foi a realidade dos fatos?
Vamos a eles:

*FATO NÚMERO 1: Para a partida de ontem, no Mineirão, o Brasil e o Chile não puderam fazer o tradicional reconhecimento do campo por decisão da FIFA — e o objetivo formalmente declarado foi “para preservar o gramado”, já castigado pela realização de quatro partidas na fase de grupos com equipes como Bélgica, Inglaterra, Argentina e Colômbia.

* FATO NÚMERO 2: A FIFA impediu que Espanha e Austrália fizessem o reconhecimento na Arena da Baixada, em Curitiba, devido ao estado do gramado. Posteriormente, durante a partida, mesmo nos primeiros minutos, já se notavam grandes blocos de grama desprendidos, inclusive na área da Austrália.

* FATO NÚMERO 3: Antes da decisão sobre Brasil x Chile não testarem antes do jogo o tapete verde do Mineirão, já no sábado passado, 21, a Argentina não obteve autorização da FIFA para treinar no estádio para evitar que a grama fosse prejudicada.

* FATO NÚMERO 4: Antes do jogo da segunda-feira, 23, contra o Brasil, no Estádio Nacional Mané Garrincha, em Brasília, a seleção de Camarões treinou mas não utilizou o campo inteiro para poupar o gramado em algumas partes que já mostravam desgaste após a disputa de duas das sete partidas que abrigará até o final da Copa.

Vejam abaixo, ou revejam, o vídeo curtinho que fez subir a performance do ex-presidento em seu bobajômetro: